MARKS & SPENCER: Como uma gigante do varejo transformou décadas de história em um arquivo digital acessível
Em 2023, uma empresa britânica mostrou que o passado pode continuar gerando valor muito depois de um produto sair das prateleiras. A Marks & Spencer, uma das redes de varejo mais tradicionais do Reino Unido, lançou seu arquivo digital, disponibilizando milhares de registros históricos para consulta pela internet. Entre os materiais estavam fotografias de lojas, anúncios antigos de cinema, revistas internas e gravações em VHS produzidas entre as décadas de 1980 e 1990. A iniciativa transformou documentos que poderiam permanecer restritos a um acervo físico em uma fonte de pesquisa sobre a evolução da marca e sua relação com os consumidores. O projeto foi divulgado oficialmente pela própria empresa e pelo National Archives britânico.
O que torna essa iniciativa interessante não é apenas a dimensão do acervo, mas a variedade dos materiais preservados. Uma propaganda antiga permite observar como os hábitos de consumo mudaram. Uma fotografia de uma loja revela detalhes da arquitetura, da organização dos produtos e da experiência oferecida ao público em outra época. Já uma gravação em VHS pode recuperar apresentações, treinamentos e acontecimentos corporativos que dificilmente seriam reconstruídos com a mesma autenticidade décadas depois. São registros que, quando organizados e disponibilizados digitalmente, deixam de ser apenas documentos guardados e passam a contar uma história que pode ser consultada, estudada e compartilhada.
A experiência da Marks & Spencer evidencia um desafio enfrentado por muitas organizações: nem sempre aquilo que possui valor histórico está armazenado em formatos preparados para o futuro. Durante anos, empresas produziram vídeos em fitas magnéticas, registraram eventos em fotografias impressas e distribuíram conteúdos em CDs e DVDs. Na época, esses suportes cumpriam perfeitamente sua função. O problema aparece quando o tempo passa, os equipamentos se tornam difíceis de encontrar e os próprios materiais começam a apresentar sinais de deterioração.
Em muitos casos, o conteúdo mais valioso de um arquivo não está nos documentos oficiais, mas nos registros aparentemente comuns. Uma gravação de uma antiga convenção pode mostrar como uma empresa se posicionava diante do mercado. Fotografias de sua primeira sede podem ajudar a reconstruir sua trajetória. Um vídeo institucional esquecido pode revelar campanhas, produtos e pessoas que tiveram participação importante em sua história. Perder esses registros significa abrir mão de informações que poderiam contribuir para projetos futuros, ações comemorativas e iniciativas de comunicação.
A digitalização permite enfrentar esse problema antes que o acesso aos materiais se torne impossível. Ao converter conteúdos analógicos para arquivos digitais, é possível facilitar a consulta, organizar coleções e criar condições mais adequadas para preservar informações ao longo do tempo. Isso não significa que os arquivos estejam automaticamente protegidos para sempre: é necessário manter cópias de segurança, utilizar sistemas de armazenamento confiáveis e verificar periodicamente a integridade dos dados. Ainda assim, a conversão representa um passo fundamental para reduzir a dependência de mídias antigas e ampliar as possibilidades de utilização dos acervos.
Para Victor Escobar, diretor do Grupo EscaEsco, a preservação digital precisa ser encarada como uma forma de proteger um patrimônio que muitas vezes só recebe atenção quando começa a desaparecer. “Toda empresa e toda família acumulam histórias que não podem ser recriadas depois que se perdem. Digitalizar esses registros é uma maneira de preservar o passado e permitir que ele continue fazendo parte do futuro”, afirma.
É justamente nessa necessidade que atua a EscaEsco Digitalização, vertente do Grupo EscaEsco dedicada à conversão de conteúdos presentes em diferentes mídias. Fotografias, fitas VHS, CDs e outros suportes podem guardar lembranças familiares, registros profissionais e documentos importantes para a trajetória de uma organização. Recuperar esse conteúdo significa tornar informações antes limitadas a um suporte físico mais acessíveis e preparadas para serem consultadas novamente.
O exemplo da Marks & Spencer também ajuda a mudar a maneira como empresas enxergam seus próprios arquivos. Preservar materiais antigos não precisa ser uma iniciativa restrita a grandes corporações, nem uma tarefa realizada apenas quando existe uma comemoração importante no calendário. Mesmo negócios menores podem reunir décadas de fotografias, vídeos e documentos capazes de mostrar como começaram, quais desafios enfrentaram e como chegaram à posição que ocupam hoje. Muitas vezes, o primeiro passo é simplesmente identificar o que existe, avaliar as condições dos materiais e decidir o que não pode correr o risco de desaparecer.
A história de uma empresa não está apenas em seus balanços, produtos ou resultados financeiros. Ela também está nas imagens, nas vozes e nas gravações que documentaram sua evolução. Ao disponibilizar parte de seu acervo histórico em formato digital, a Marks & Spencer demonstrou como registros antigos podem ganhar novas possibilidades de acesso e utilização. Para quem ainda mantém fitas, CDs e fotografias guardados há anos, a lição é direta: não é preciso esperar que uma mídia deixe de funcionar para reconhecer o valor do que ela contém. Preservar hoje pode ser a diferença entre manter uma história viva e perder para sempre a oportunidade de contá-la.

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