Sua empresa ainda paga para se adaptar ao software dos outros?

Durante anos, muitas empresas aprenderam a trabalhar da maneira que o software permitia. Se o sistema não oferecia determinada função, criava-se um processo alternativo. Se o aplicativo não conversava com outra ferramenta, alguém encontrava uma solução manual. Se uma informação importante não aparecia no relatório, era preciso exportar dados, montar planilhas e fazer o trabalho novamente. Aos poucos, a tecnologia que deveria facilitar a operação começava a determinar como a empresa precisava funcionar.

Esse cenário está mudando.

A evolução da inteligência artificial aplicada à programação abriu espaço para uma nova maneira de desenvolver sistemas e aplicativos. O chamado “vibe coding” ganhou força justamente por permitir que pessoas e equipes descrevam, em linguagem natural, aquilo que precisam construir, enquanto ferramentas de IA ajudam a transformar essas instruções em código. A tecnologia não elimina a necessidade de conhecimento técnico, revisão, arquitetura e segurança, mas pode reduzir significativamente o tempo gasto em tarefas de desenvolvimento e prototipação.

Na prática, isso muda uma questão que durante muito tempo afastou empresas dos sistemas personalizados: o custo.

Desenvolver um software próprio costumava significar meses de trabalho, equipes especializadas e investimentos que muitas empresas consideravam altos demais. Por isso, era comum optar por plataformas prontas e adaptar os processos internos a elas. Agora, com ferramentas de IA auxiliando profissionais durante o desenvolvimento, determinadas soluções sob medida podem ser construídas com muito mais velocidade, tornando economicamente viáveis projetos que antes pareciam grandes demais.

Um caso que ajuda a entender essa transformação vem da POLYWOOD, empresa americana conhecida por seus móveis para áreas externas. Depois de migrar sua operação para a Shopify, a companhia passou a utilizar ferramentas de programação assistida por IA, incluindo o Claude Code, em toda a equipe de desenvolvimento. Segundo a própria empresa, recursos que anteriormente consumiam meses de desenvolvimento passaram a exigir muito menos esforço, permitindo que os profissionais direcionassem sua capacidade para novos projetos, melhorias na experiência do cliente e diferenciais competitivos.

A história da POLYWOOD é interessante porque mostra que o principal ganho da inteligência artificial não está necessariamente em fazer uma empresa gastar menos com tecnologia. O ganho pode estar em fazer a mesma quantidade de profissionais produzir muito mais valor.

É uma diferença importante.

Quando a IA assume parte do trabalho repetitivo de escrever, explicar, testar e ajustar código, o profissional consegue concentrar mais energia nas decisões que realmente importam: o que precisa ser desenvolvido, por que aquilo é necessário, como o sistema deve funcionar e de que maneira a solução pode melhorar o negócio.

É justamente essa combinação que torna o desenvolvimento personalizado tão interessante para empresas. Uma indústria pode precisar de um sistema interno para acompanhar produção e estoque. Uma rede de lojas pode querer um aplicativo próprio para seus colaboradores. Uma empresa de serviços pode precisar de uma plataforma para organizar clientes, contratos e atendimentos. Uma companhia com processos muito específicos pode descobrir que nenhum software pronto atende exatamente àquilo que precisa.

Nesses casos, adaptar a empresa ao sistema pode deixar de ser a única alternativa.

A lógica pode se inverter: construir o sistema de acordo com a empresa.

Esse é um dos principais diferenciais de uma solução personalizada. O software deixa de carregar dezenas de funções que nunca serão utilizadas apenas porque fazem parte de um pacote comercial e passa a ser desenvolvido em torno das necessidades reais da operação. Com a ajuda da inteligência artificial, a etapa de construção pode se tornar mais ágil, permitindo testar ideias, criar protótipos e validar soluções antes de comprometer grandes investimentos.

Mas existe uma diferença entre desenvolver rapidamente e desenvolver de qualquer maneira.

O próprio mercado de tecnologia mostra que o “vibe coding” não significa simplesmente pedir para uma IA escrever um programa e colocá-lo imediatamente em produção. Questões como segurança, arquitetura, proteção de dados, integração, manutenção e testes continuam dependendo de conhecimento técnico e de supervisão humana. A própria Shopify, ao discutir o uso de vibe coding, ressalta que ferramentas de IA já conseguem gerar código real, mas não substituem toda a complexidade existente em sistemas de produção, especialmente em áreas críticas.

É justamente por isso que a oportunidade não está em substituir o desenvolvedor. Está em transformar o desenvolvedor.

O profissional deixa de passar boa parte do tempo digitando estruturas repetitivas e pode dedicar mais atenção à arquitetura, à lógica do negócio, à experiência do usuário e à qualidade do produto final. A IA passa a funcionar como uma ferramenta de aceleração, enquanto as decisões continuam sendo humanas.

Para Victor Escobar, diretor do Grupo EscaEsco, “a inteligência artificial não torna o desenvolvimento personalizado desnecessário; ela torna possível desenvolver mais soluções, em menos tempo e com uma relação de custo que antes seria difícil imaginar”.

Essa mudança pode ser especialmente importante para empresas de pequeno e médio porte, que durante anos precisaram escolher entre pagar caro por um sistema personalizado ou aceitar as limitações de uma plataforma pronta. Com a evolução das ferramentas de IA, essa conta começa a mudar.

Isso não significa que todo problema empresarial precise de um aplicativo próprio. Às vezes, uma solução pronta é realmente a melhor escolha. A questão é deixar de considerar o desenvolvimento personalizado como algo automaticamente caro, demorado e inacessível.

Hoje, antes de perguntar quanto custa desenvolver um sistema, talvez seja mais inteligente perguntar quanto a empresa perde todos os meses por não ter um sistema que funcione exatamente como deveria.

Horas gastas em tarefas manuais. Informações espalhadas em diferentes plataformas. Funcionários alimentando planilhas. Processos que dependem de mensagens. Dados que não conversam entre si. Relatórios produzidos manualmente. Pequenas ineficiências que, somadas durante anos, podem representar um custo muito maior do que o investimento necessário para resolver o problema.

A EscaCode surge nesse novo cenário justamente para aproximar tecnologia e realidade empresarial. A proposta não é desenvolver um aplicativo porque ter um aplicativo parece moderno. É entender o processo, identificar o problema e avaliar quando uma solução própria pode gerar retorno para a empresa.

A grande mudança provocada pela IA talvez não seja fazer com que todas as empresas se tornem empresas de tecnologia. É permitir que cada vez mais empresas tenham acesso a tecnologias desenvolvidas especificamente para aquilo que fazem.

Durante muito tempo, o software dizia às empresas como trabalhar.

Agora, pela primeira vez, está ficando mais acessível construir o software para que ele trabalhe da maneira que a empresa realmente precisa.

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